quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Me dá?

dessa coisas que você sente e fazer o que? escapa entre os dedos e vira sei lá. antes de tudo, em minha última defesa, tenho que dizer que odeio o acaso, esse deus de barbas brancas. papai noel que se foda sozinho. quero acreditar que estava escrito nas minhas e suas linhas da mão, na minha calcinha molhada, no seu pau duro antes mesmo que. abre, abre, abre. quero, quero, quero. tanto  que tenho que chamar de amor essa vontade de ficar para sempre nua na sua frente até me esgotar no seu desejo. no meu. meu, meu, meu. repetir até que deixe de ser e volte a pertencer a esfera das sensações apanháveis no ar, feito gripe. suo essa febre que escorre os poros todos, derreto por instantes o que vem junto com as cachaças para presentar amigos, a briga com mães, irmãs que não precisam saber. te amo esse amor de sem jeito. sem estado. sem eu, essa que já se perdeu em algum lugar que gemia e dizia vem. sem você que a essa altura dos acontecimentos passados, presentes e futuros ousou me responder. ah, você me respondeu, amor. correspondeu. isso. quero isso. me dá?



Esse post foi um ensaio de escrevinhação ébrio para outro, reescrito e (re)postado d'outro jeito aqui. Vai lá!

sábado, 10 de agosto de 2013

Pedra

simples assim 
nunca mais 
me separo de mim 

Lau Siqueira

Quando voltei a escrever, foi sobre a separação ser uma espécie de faxina em que ficamos tão, tão cansadas. E que dificilmente terminamos. Foi num blog onde eu não assinava com meu nome e já faz alguns anos. Esse texto passou a começo de um livro que não cheguei a terminar e tampouco sei em que local da memória de que computador se perdeu. O blog, como os outros, foi interrompido porque sim.

Era ontem quando saí daquela casa, que já foi meu ateliê. Num quintal que agora é dos meus pais, casados novamente depois de trinta e três anos de separação. Depois de jogar tanta coisa fora. Abrir espaços nas gavetas, separar para doar tudo o que decididamente não vou mesmo usar, de insistir em continuar me tentando artista, mesmo depois de tantas e recorrentes negativas.

Desci do ônibus sem pagar a passagem porque o cobrador não tinha troco, combinando de nos cruzar por aí, mandei pelos correios um envelope com um portfólio e vários impressos de exposições que participei e dentre os quais se encontrava o convite pro lançamento do livro artesanal "Todas Essas Coisas Sem Nome", esse que é o primeiro.e logo mais.

Também abracei a amiga, escutei a voz do homem que me apareceu quando quis, porque é simplesmente assim que tem que ser, dediquei mal escritas linhas a primeira letra de um nome, que notei ser aquela mesma do passado.

Foi bem depois de já ter conversado sobre essa pedra negra. Com a menina que conheci naquele vilarejo longe do mundo e onde a amiga disse que me procurasse. Foi ontem no mundo, onde durmo vez ou outra, que essa mesma menina me acordou apenas para colocá-la na minha mão, depois de ter sido enviada pelo rapaz que a ama e com quem compartilhei sorrisos, especialmente para mim. Depois me disse para continuar sonhando. 

O nome da pedra é Turmalina e diz-se dentre outras coisas, que protege das maldições e feitiços da vida presente e passada. Acordou na minha mão quando finalmente desisti de nomear o sentimento que não cansa de me surpreender enquanto me (en)canta.

É apenas uma pedra. Se eu quiser. Para o que eu quiser. Inclusive poesia.

Finalmente o que eu escrevo não precisa mais fazer sentido nenhum para você.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Matéria

Transformei o muito que desconhecia de mim em tatuagens. Couberam-me assim letras e sonhos. 
Penso encantada: O mundo não é mesmo muito pequeno? Hoje cabe no meu jardim. Na minha pele. Suspiro enlevada: Amo mesmo é Gabriel Garcia Marquez e Roberto Drummond. 
E você, me devolve quando os meus Cem anos de Solidão? 
Para isso, desejei traçar-lhe um mapa para que chegasses onde em mim é verde e paz. Onde se esconde entre primaveras e papoulas um coração em que grilos cantam e borboletas e beija-flores zunem: você.
Onde mora aquela que dança descalça e despida de mentiras e roupas. Sem motivo algum ou apenas para comemorar a matéria de que é feita: sangue, ossos e excessos. Em que banho-me do porvir, ainda marcada com a escrita do lençol na minha pele, que leio sobre o sonho bom da noite passada. Pinto as unhas, cato bondade, arranco mentiras e máscaras tal qual ervas daninhas. 
Onde eu seria. Teu jardim. Amor. Teu. 
Mas não encontrei sequer uma folha em branco. 
Ainda assim continuo cantando. Tal qual sereia. E sinto teu medo de afundar-se em mim, acreditando num maternal delírio gertrudiano de beleza, morte, flores e limpidez. Porque foi assim, da boca da tua mãe, que soubeste-me. Mas aquela era água lodosa.
Ah, Homem! No fundo, meu mergulho na inexistência foi necessidade tua, não minha. Para não conheceres a megera que te devoraria em noites, páginas, pétalas e roupas arrancadas.
Descansa em meu peito, amor. Nossa história é outra.
Porque és tu que contas de meus sumos e são as suas palavras que da minha boca escorrem quando os desejos são tão excessivos que nem suores, mãos molhadas, banhos frios ou minha nudez líquida podem mostrar do que é feita essa vontade de mim em você e do oceano inteiro em nós.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Minas

Detesto aviões. Acho uma prepotência dos humanos. Falo disso porque breve estarei em um. Lembro viagens anteriores. Das lentidões, de estar, de me sentir em casa aonde vou. 
De lá, em qualquer lugar, deixar um pedaço de mim, pra quem sabe ir recolher-me outra hora qualquer. Outro ano. Outro tempo. 
Os aviões são apenas o mal necessário. 
Então aterrisarei em Minas. Que já mora em mim há tempo demais, mesmo sem nunca antes. 
Acho que vai ser um bonito reencontro.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Merdas acontecem!

Dos dias que dói tudo. Logo cedo escrevi lembranças dum ontem alegre para tentar não sentir. Fingir que não estava prestando atenção a tensão, a tristeza, a irritação com os detalhes pequeninos e cotidianos. Como o cachorro que estava alegre demais e veio todo babante me fazer festa. Como sempre. Como o sol que brilhava demais pra tempos que deviam-me, ora bolas, tempestades e trovoadas. 
Mas o que eu queria mesmo era reclamar de certas coisas que aconteceram por esses dias, notícias ruins, ausências, saudades, lutos. Mas hoje não consegui. Até porque não é educado incomodar as pessoas e todos tem seus problemas, afinal de contas. E o que eu iria contar? Que o mundo também é mau com pessoas legais, que a vida quase nunca é justa, que merdas acontecem? 
Pois é. Então é isso que eu queria falar, no final das contas. Merdas acontecem, caros colegas! 
E manter-se alegre depois de certas notícias é dessas coisas que demandam energia demais. Tô fraca, meu louro!

Carinho

Como nossos pais. Cantar no Karaokê da Lagoa. Depois curar a ressaca num dia inteiro de maresia e risadas. Os problemas pensamos amanhã, acordo tácito e silencioso entre mulheres que já sofreram demais. Porque sabemos que a vida aos poucos vai se ajeitando. E é essa certeza que me faz sorrir enquanto observo L., filha da querida há quase vinte anos, lendo um livro que também foi nosso. Adolescentes. Banho de rio. Banho de mar. Mornidão confortável.
O mundo sempre dá seu jeito. E a vida nos acarinha vez ou outra. Sempre que deixamos.
Voltamos cantando juntas no carro.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Fim de uma era

Monólogo interior: “Olha, só você! Querendo ficar felizinha. Pensando em caminhar, fazendo planos de voltar para yoga. Isso é muito sério, você está realmente querendo resolver as pendências daquele tal projeto. E ter um relacionamento legal, que audácia! Esse é o fim de uma era. Você vai perder a sua angústia existencial e com ela a capacidade de criar. Vai ser horrível. Você vai acabar num camarote no carnaval da Bahia desse jeito. Tome tento, criatura!”. 

Tudo isso enquanto comia meio pote de 400 gramas de doce de leite. Chorando e escrevendo. Escrevendo e chorando. E foi com a colher de sobremesa enfiada na boca, enquanto as lágrimas escorriam abundantes, que me dei conta. Oi, TPM.